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quarta-feira, 29 de junho de 2011

I [heart] iPad

Sofro de paixonite aguda pelo iPad. Desde que abri a mente e a conta bancária para aumentar a minha lista de gadgets, sinto como se eu tivesse um cachorrinho novo em casa, e eu tenho que esperar toda uma jornada de trabalho até encontrar o meu cachorrinho de novo. Muitas saudades.

Sentimentalismos à parte, agora tenho algum embasamento para poder fazer aquela comparação entre e-readers e tablets, debate que vem sendo tão estranhamente discutido por aí.

Estranhamente, sim, porque as duas coisas são simplesmente tão diferentes quanto uma televisão e uma geladeira, guardadas as devidas proporções. Entretanto, como alguém inventou que o tablet servia para ler também (santo alguém!), as comparações não pararam de aparecer. Vamos por partes:

Os e-readers têm "tinta" preta e branca, ou seja, a tecnologia e-ink responsável pela formação de imagens na tela dos e-readers ainda está monocromática - embora a versão colorida esteja em fase de testes. Por isso, se você gosta de livros de arte, gastronomia, revistas, jornais e internet, esqueça os e-readers por enquanto. Enquanto isso, o iPad é lindamente colorido, a resolução é ótima e qualquer revista fica convidativa até não poder mais com ele.

Os e-readers utilizam a tecnologia e-ink, enquanto os tablets têm a tela parecida com a de alguns notebooks, o que significa que você vai aguentar menos tempo na frente dele do que dos readers. Entretanto, o iBooks e os aplicativos como do Kindle para iPad são muito mais organizados do que os aplicativos próprios dos e-readers.

O iBooks lê PDFs e ePUBs sem DRM. Muitas siglas? PDF você conhece, são os nossos velhos companheiros de faculdade, e é uma grande mão na roda eles poderem ser lidos, já que um ou outro e-reader por aí não lê, ou, pelo menos, lê todo desconfigurado. ePUB é o formato da maior parte dos livros virtuais e DRM é o cadeado dos infernos que mantém ele preso e te impede de emprestar à sua avó, que gosta tanto de ler. Se a Amazon poderia mostrar algum problema com isso, já que os livros dela são todos com DRM, fez bem melhor: criou o aplicativo Kindle que funciona tanto no iPad, quanto no iPhone, no PC e onde mais você conseguir instalar e todos os livros que você comprar dela ficam "nas nuvens", ou seja, você pode parar a leitura em um lugar e continuar de onde parou em outro (quer nascer em década mais linda [tecnologicamente] que essa?).

É um pouco mais difícil manter a atenção se você tem um iPad! Isso porque ele faz tanta coisa, que só falta plantar bananeira, então não dou nem 10 páginas até você querer checar o seu Twitter ou Facebook antes de voltar para a leitura.

Embora alguns e-readers acessem a internet, essa não é a função deles, por isso não conte com eles para isso. Os tablets, por outro lado, vivem disso. São perfeitos para revistas e jornais, ainda mais do que livros.

Além disso, eu já falei que ele é lindo?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Livro digital sem imposto: #oremos

Para alegria dos leitores - e certo medinho das empresas responsáveis pelos e-readers nacionais - segue no plenário um projeto de lei que modifica a Política Nacional do Livro (PNL), instituída em 2003, que regulava, entre outras coisas, a tributação em cima dos livros importados. Ao contrários dos irmãos de papel, os e-readers ainda não são livres de tributação, apesar de a PNL "assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro; fomentar e apoiar a produção, a edição, a difusão, a distribuição e a comercialização do livro; promover e incentivar o hábito da leitura; apoiar a livre circulação do livro no País; e capacitar a população para o uso do livro como fator fundamental para seu progresso econômico, político, social e promover a justa distribuição do saber e da renda". Oras, o e-reader não é um iPad, gadget dos sonhos de muita gente [meus!] que faz de tudo. Os e-reader servem para ler. E ponto. Todas as demais funções giram em torno da leitura e servem para auxiliar ou melhorar o aprendizado.

Se a iniciativa for aceita pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, pela Câmara e, finalmente, aprovada, as empresas brasileiras que hoje correm atrás do mercado do livro digital terão que se cuidar. Hoje, ainda sai mais barato comprar o precursor dos leitores, o Kindle, da Amazon, pagando a tributação absurda de importação de eletrônicos do que comprar uma das versões brasileiras, como o Alfa, da Positivo. Mesmo a versão 3G, que possibilita a compra online de livros sem nenhum custo pela conexão, ainda sai mais barato, se não levarmos em conta os acessórios que costumam ser comprados juntos. Se a tributação cair por terra, o Kindle básico wi-fi sai por menos de 250 reais, sem contar o frete. A Positivo, hoje, consegue vender seu leitor por pouco menos que 700 reais, sem as vantagens que a Amazon oferece, de ter já um grande acervo em inglês. Se o medo não for o suficiente, some a isso a notícia de que a empresa americana deve desembarcar em terras tupiniquins no começo do ano que vem - provavelmente procurando aumentar o seu catálogo de livros em português.

Para nós leitores, pulos de alegria e figas para que o projeto de lei seja posto em prática! Para os e-readers brasileiros, muita corrida para alcançar o Kindle e conquistar os leitores daqui.


domingo, 15 de maio de 2011

Kindle: ter ou não ter?

Que eu sou apaixonada pela nova era digital e que não vou sentir a menor falta do cheiro do livro, não é novidade - primeiro porque eu sou alérgica, segundo porque os livros vão continuar por aí, lindões na sua estante, não se preocupe, caro apocalíptico! Entretanto, como costuma faltar mês no fim do dinheiro, ponderar é preciso na hora de escolher o seu leitor digital. Ainda não me inteirei nesse mundo, mas pretendo, então seguem as minhas últimas descobertas e agonias.

Atualmente tenho um Positivo. Apesar do que tenho ouvido por aí, acho que a Positivo não fez feio no mercado nacional de e-readers, ganhando de longe, por exemplo, da Gato Sabido - é só brincar um pouquinho com os dois para perceber. Como a gente nunca se contenta, estou de olho no Kindle por algumas razões, então é hora de ponderar.

O Positivo usa o sistema da Saraiva para compra de livros e, vamos combinar, por mais que eu seja fã da loja de carteirinha (literalmente), ainda estamos pobríssimos em catálogo de livros digitais pagos, que dirá de livros digitais gratuitos. O sistema da Saraiva também não é lá tão bom como o do Kindle. Aliás, você pode baixar o Kindle Reader para o seu PC, já que muita gente ainda lê no próprio computador (além, claro, de poder baixar o aplicativo para iPad, iPod, iPhone, Blackberry, Android e outros). O aplicativo é gratuito e, com uma conta na Amazon, você pode baixar todos os livros gratuitos disponíveis e ainda comprar os que tiver coragem.

O preço é outro ponto a favor da Amazon. Se você não quiser entrar para a lista dos bandidos sem alma (que é como as editoras vão te ver ao baixar um arquivo PDF na internet - assunto para outro post) e estiver realmente disposto a comprar seus livros online, vai pagar preços absurdos nas lojas brasileiras. O último exemplo absurdo que eu encontrei foi o fato do bestseller "Comer, Rezar, Amar", de Elizabeth Gilbert, custar cerca de 32 reais na versão digital da Saraiva e 26 reais na versão em papel da mesma loja. Alguém me explica onde foi parar a coerência? Na Amazon, o mesmo livro sai em papel por US$ 9,90, equivalente a 16 reais, dez a menos do que comprando em terras tupiniquins. Mais uma vez, coerência?

Isso sem contar que o Kindle quebra totalmente o tabu do frete da Amazon, que costuma ser absurdamente caro (já que eles cobram tanto um frete por compra quanto um frete por item). O livro digital chega ao seu Kindle, PC, iPhone ou qualquer outro dispositivo em menos de 60 segundos.

Coisa genial que eu descobri esta semana e que dá outro banho nos brasileiros: o Kindle Reader trabalha "nas nuvens", ou seja, hospeda os seus livros em cloud, por isso, ao abrir o Kindle Reader em outro dispositivo, como seu iPad (ou o iPad emprestado do seu coleguinha), basta acessar a sua conta Amazon para ler os seus livros. E melhor, de onde parou.

Mas a Amazon come criancinhas e bloqueia os seus livros sob o nome cruel e mau de DRM, certo? Certo. Os livros da Amazon possuem um cadeado do demo chamado DRM, que não deixa que ele seja lido por um dispositivo sem Kindle Reader. But then again, a loja da Saraiva também vende livros bloqueados e nós ainda gostamos deles! Sim, o problema é que você não vai conseguir ler livros deles no seu Kindle, somente os da Amazon, os livres (sem DRM) e os desbloqueados (o que vai te colocar na lista dos bandidos sem alma).

Como a Amazon ganhou nos outros pontos, a única coisa que iria me impedir de comprar um Kindle agora (além da minha conta bancária) é o fato de não poder comprar livros em português, já que o acervo de livros brasileiros na Amazon é ainda mais precário (óbvio) que o nosso. Além disso, nem todos os livros disponíveis para os americanos estão disponíveis também para os reles Latin America and Caribean. Ainda. Ainda, porque eles estão prestes a desembarcar por aqui, chegando ao Patropi até março e trazendo com eles milhares de livros lindões e, consequentemente, pressionando as editoras a liberarem mais ebooks para serem vendidos na futura amazon.com.br.

Que os deuses da leitura digital te ouçam!